Alvorada Parintins

Família inteira contaminada pela Covid-19 se recupera em Parintins

Dez pessoas da mesma família, seis adultos e quatro crianças, vencem a Covid-19. O drama da família dos empresários Ray e Carla Garcia começou em Parintins, em meados de dezembro do ano passado, quando a filha, a funcionária pública Carla Queiroz Garcia recebeu os primeiros procedimentos no hospital Jofre Cohen, unidade de referência no enfrentamento da Covid-19 no município. Com agravamento da doença foi transferida para Manaus, cidade onde é a origem de todo o problema.

O irmão André, a cunhada Cristine e a sobrinha, que moram na capital amazonense, apresentaram os primeiros sintomas, dois dias antes de Carla ficar infectada. Passado alguns dias a irmã apresentou os sintomas da doença. Com quadro clínico que exigia cuidados, precisou ser internada. Nessas alturas, o Hospital Santa Júlia já estava ficando com sua taxa ocupacional total.

Carla Queiroz conta que contraiu o coronavírus em Manaus, quando precisou fazer uma cirurgia oftalmológica. Por 16 dias ficou internada com 75% dos pulmões comprometidos. Atualmente cumpre uma rotina de fisioterapia, com a presença de um profissional para auxiliar nos exercícios físicos.

No Natal e Ano Novo, datas em que as famílias se reúnem para confraternizar, a turismóloga dividia o mesmo espaço com os pais e a irmã, também acometidos pela doença. A parintinense descreve os dias difíceis que viveu em um leito de hospital.

“Minha irmã ficou em uma ala nova que eles abriram para atender mais pacientes. A toda hora chegavam pessoas no hospital. Meu pai foi o último a ser internado, mas por prevenção, pelas comorbidades. E lhe digo, foram dias difíceis, pois o hospital já não tinha mais vaga. Meu pai passou a noite na Emergência, até conseguimos leito pra ele. Meu pai entrou um dia antes de o Hospital Santa Júlia fazer o informativo de superlotação. Passamos Natal e Ano Novo separados. Nem nos meus piores pesadelos teria imaginado isso”.

Longe das filhas, Lara e Larissa, a funcionária pública viveu momentos de aflição e dúvidas sobre o futuro. Ao ser contaminada pelo coronavírus Carla precisou cumprir as medidas restritivas para evitar a propagação da doença, mesmo porque o vírus tem demonstrado uma letalidade muito grande. A doença fez com que os laços familiares ficassem ainda mais fortes.

“A gente começa a entender que existe um propósito na vida, que Deus é o dono de tudo e que a nossa família é o nosso grande esteio e o bem mais precioso. Já éramos unidos, mas a doença uniu-nos ainda mais, e Deus do seu jeito foi colocando anjos em nossas vidas”, comentou aliviada.

Apesar de apresentar quadro clínico grave, André não precisou ser internado e sua atitude solidária mereceu elogios da irmã, e mesmo com a doença, foi um guerreiro, tirando forças para assumir como o chefe da família.

A cunhada Thyne Montenegro, solidária o tempo todo, conseguiu cuidar nos momentos de falta de ar. Passado o trauma, a família encara como uma nova etapa, principalmente para Carla Garcia, que começa a fase de reabilitação. “Nosso lema é, “Um dia de cada vez”.

A entrevista com Carla Queiroz Garcia foi por telefone, via WhastApp. Devido apresentar as sequelas da doença ela ainda tem dificuldade para falar e as respostas tiveram que ser por escrito, com a ajuda das filhas Lara e Larissa.

Graça Garcia
Carla Garcia respira com ajuda de aparelho / Foto: Arquivo pessoal

Site Alvorada – Como foi que você contraiu a Covid-19?

Carla Queiroz Garcia – Contrai em Manaus, onde vim fazer uma cirurgia oftalmológica. Meu irmão e minha cunhada tiveram os primeiros sintomas.

SA – Além de você, outras pessoas de sua família também foram contaminadas pelo vírus?

CQG – Sim, meu irmão André e minha cunhada Cristine apresentaram os primeiros sintomas dois dias antes de mim. Fiquei isolada em casa. Passado alguns dias meu irmão apresentou os sintomas. Minha irmã piorou e precisou ser internada. Nessas alturas o Hospital Santa Júlia já estava ficando com sua taxa ocupacional total. Minha irmã ficou em Ala nova que eles abriram para atender mais pacientes. A toda hora chegavam pessoas no hospital. Meu pai foi o último a ser internado, mas por prevenção, pelas comorbidades. E lhe digo, foram dias difíceis, pois o hospital já não tinha mais vaga. Meu pai passou a noite na Emergência, até conseguimos leito pra ele. Meu pai entrou um dia antes de o Hospital Santa Júlia fazer o informativo de superlotação. Passamos Natal e Ano Novo separados. Nem nos meus piores pesadelos teria imaginado isso. A gente começa a entender que existe um propósito na vida, que Deus é o dono de tudo e que a nossa família é o nosso grande esteio e o bem mais precioso. Já éramos unidos, mas a doença uniu-nos ainda mais.

SA – Como foram os primeiros procedimentos?

CQG – Então, como disse, fiquei isolada em casa quando meu irmão apresentou os primeiros sintomas. Entrei com o kit do Covid. No terceiro dia passei mal. Fui ao Hospital Jofre Cohen. Fui atendida pelo médico Dr. Arumis Martinez e a equipe daquela noite. A todos eu digo, todos sem exceção, sempre com uma palavra amiga e de força pra me dá, porque dá medo você, se desespera… Me estabilizaram, pois cheguei com pressão, glicose tudo alterado, porque a Covid faz isso. Dia seguinte embarquei para Manaus.

SA – Em Manaus, você, seus pais e sua irmã ficaram no mesmo hospital, provavelmente no mesmo setor para tratamento da Covid-19. Como foi a sensação de estar com uma doença que já tirou a vida de muitas pessoas, ver pessoas que você ama na mesma situação?

CQG – Quando cheguei em Manaus já cheguei com dor no peito e nas costas, e tosse. Meu irmão e minha cunhada já estavam em tratamento. Meu irmão com sintomas mais fortes. Me levaram para o Hospital Santa Júlia, ande fiz exames mais detalhados…confirmando a Covid. Eu já tinha certeza que estava com a doença só não imaginaria que ficaria internada e já com o comprometimento de 50% dos pulmões. Daí começou toda a história. Em seguida chegou minha mãe e minha irmã, mais meu sobrinho, e já foram direto para o mesmo hospital também, feito exame e positivaram. Minha mãe ficou internada e minha irmã liberada. Depois chegaram meu pai e minhas filhas de Parintins sem sintomas. Quatro crianças também pegaram, mas Graças a Deus assintomáticos.

SA – Quem são e quem foram os anjos que socorreram vocês no momento mais difícil da doença?

CQG – Deus do seu jeito foi colocando anjos em nossas vidas. Não posso deixar de agradecer ao meu irmão André Garcia que foi tão complacente nesse momento, um guerreiro, que mesmo com a doença tirou forças para assumir como o Chefe da Família. A minha cunhada Thyne Montenegro. Nossa mana, nem sei o que lhe dizer a não ser minha gratidão eterna por tudo que fez por nossa família, mesmo com o vírus conseguiu cuidar da gente, e nos meus momentos de crise de falta de ar estava lá pra me acalmar. A dra Carol Reis, minha psicóloga que não mediu esforços pra manter minha mente sã. Ao Jorge Reis, nessas horas que os “amigos irmãos” aparecem sem esperar. Carlos Valente, tio obrigado pelo apoio necessário nesse momento de angústia. Ao Celso Oliveira e Graça Oliveira por terem cuidado das nossas meninas e pelas palavras de carinho e incentivo. As minhas guerreiras Lara e Larissa que tiveram que assumir responsabilidades acima delas e não me decepcionaram (estou fazendo a coisa certa) aos meus sobrinhos Luiza e Lázaro Miguel, que mandavam fotos e vídeos fofos pra alegrar o meu dia. A minha família e aos inúmeros amigos (não vou citar nomes para não ser injusto com ninguém por que foram muitos) que passavam mensagens de conforto… de positividade…de Fé…de coragem e que estaríamos curados… Reconheço aqui também em especial, o trabalho dos profissionais do Hospital Jofre Cohen desde os meus primeiros sintomas… foram importantíssimos… Ao Hospital Santa Júlia, aos profissionais Dr. Maurício e Dra. Vera e  Dra. Simone, representando a equipe fantástica de fisioterapeutas. Meu agradecimento a vocês e aos técnicos de enfermagem que nos cuidaram com muito profissionalismo e atenção. Serviços gerais merecem o nosso reconhecimento, assim como os demais profissionais de saúde, que são verdadeiros heróis, que deixam sua família pra cuidar de outras famílias com todo carinho… Enfim, a todos a minha eterna Gratidão…

SA – Você está em fase de recuperação da doença?

CQG – Sim, estamos na fase reabilitação principalmente eu que cheguei a 75% do meu pulmão acometido… que até pra UTI o médico solicitou mas não tinha vaga. Na nossa família tem um lema agora que é “Um dia de cada vez”. Então, assim Neudson fiquei com sequelas. Vim pra casa de ambulância e no oxigênio. Hoje, tenho acompanhamento de fisioterapia respiratória e motora todos os dias com o Dr. Marcelo Machado e o nutricionista Dr. Abiner estão cuidando de mim. Cada membro da família também faz sua reabilitação, cada um de um jeito, conforme as comorbidades.

SA – O que você diria para as pessoas que negam a doença ou que não cumprem os protocolos de saúde?

CQG – Neudson, eu sei que é difícil e não tá fácil, mas o que eu vi e vivi foi algo indescritível. O vírus tá mais forte. Então, pessoal evite sair de casa, saia por extrema necessidade, porque não é só sua vida que você coloca em risco é a vida das pessoas que amamos também. Então, vamos nos cuidar, vamos ficar em casa, seguir os protocolos de saúde, vamos usar máscaras, álcool. Gente, eu convive com eles 16 dias com os profissionais de saúde. Eles estão cansados exaustos, plantões exaustivos, muitos trabalham com algumas sequelas que a Covid deixou, mas eles estão lá lhe ajudando com uma palavra, um gesto de carinho. Eles também têm família e deixam a sua para cuidar de outras. Eles são heróis. Então, pense neles, pense na sua família que o nosso bem mais preciso. No mais Neudson é Gratidão a Deus toda honra e toda Glória. A Nossa Fé em Nossa Senhora do Carmo e a Santo Expedito que intercederam pela minha Família… Minha Família Venceu o Covid-19 …. Somos um Milagre….

 

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