Alvorada Parintins

Morre o bispo que participou da fundação da Canção Nova

Dom Antônio tinha 101 anos e era o bispo mais idoso do Brasil.

A diocese de Taubaté-SP comunicou o falecimento de seu bispo emérito dom Antônio Affonso de Miranda, sdn, ocorrido no por volta das 7h desta segunda-feira, 11 de outubro de 2021, em hospital na cidade de Juiz de Fora-MG, onde se encontrava internado.

A nota afirma que “a passagem de dom Antônio pela diocese de Taubaté foi marcada pelo equilíbrio entre a responsabilidade e a generosidade, a ternura e a firmeza”. Dom Antônio estava com 101 anos, sendo o bispo mais velho de nosso país. O sepultamento será amanhã, dia 12 de outubro, em Mercês-MG, sua cidade natal.

Biografia e trajetória eclesial

Dom Antônio é mineiro de Cipotânea, cidade famosa por ser berço de mais de 60 padres e cinco bispos no período de menos de 100 anos. Nasceu em 14 de abril de 1920. Mudou-se, com a família, para Mercês-MG, em 1929.

Em 1º de fevereiro de 1933, entrou para o seminário da congregação dos Sacramentinos de Nossa Senhora, onde foi aluno e dirigido do fundador, padre Júlio Maria De Lombaerde, hoje com seu nome em processo de beatificação na Santa Sé.

Foi um aluno exemplar, inteligente, aplicado, obediente. Nos três anos de Teologia que cursou no seminário do Coração Eucarístico, em Belo Horizonte, conseguiu em todos os anos e em todas as matérias excelentes notas.

Foi ordenado sacerdote em 1º de novembro de 1945. Como padre, dirigiu os seminários do Bom Jesus, em Manhumirim e São Rafael, em Dores do Indaiá, onde também foi pároco por 16 anos em três diferentes períodos.

Já nos seus primeiros anos de sacerdote, teve influência decisiva na reorganização e consolidação da sua Congregação, que passava por momentos de instabilidade, sob o risco de extinção, depois que o seu Fundador e superior falecera tragicamente em um acidente automobilístico no Natal de 1944. Essa sua participação determinante na vida dos sacramentinos levou-o a ser eleito o primeiro Superior Geral da congregação com apenas 32 anos, tendo que aguardar uma licença especial de Roma para que assumisse, diante de tão tenra idade.

Em 8 de novembro de 1971, teve a sua nomeação de bispo de Lorena-SP publicada no jornal oficial da Santa Sé, Osservatore Romano. Tomou posse nessa cidade em 23 de janeiro de 1972. Entre as grandes realizações do seu primeiro governo diocesano, registra a fundação da Comunidade Canção Nova, que se tornou o maior complexo católico de comunicação do mundo, quando chamou o padre Jonas Abib e o designou para um trabalho de evangelização junto à juventude tendo como púlpito os meios de comunicação.

Em 1977 foi transferido para a diocese de Campanha como bispo coadjutor, com direito à sucessão, e administrador apostólico com plenos poderes, em razão da doença de dom Othon Motta, que o impedia de dirigir aquela diocese. Deixou sua marca naquela cidade como um eficiente administrador e pastoralista. De Campanha foi transferido para a diocese de Taubaté, para suceder a dom José Antônio do Couto, acometido de dois AVCs que o impediram de governar.

Em Taubaté também ganhou fama de reconhecido pregador, grande administrador e incentivador das pastorais e movimentos leigos. O papa João Paulo II aceitou a sua renúncia canônica em 22 de maio de 1996, nomeando-o administrador apostólico até a posse do seu sucessor, dom Carmo João Rhoden, em 17 de agosto daquele mesmo ano.

É jornalista e advogado, formado pela Universidade Federal do Espírito Santo. Membro da Academia Taubateana de Letras. É Cidadão Taubateano, título que lhe foi concedido em 3 de março de 2006. Estava vivendo em Mercês-MG, junto de seus familiares.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Nota de Condolências da CNBB pelo falecimento de
Dom Antônio Affonso de Miranda

Brasília-DF, 11 de outubro de 2021

Estimado irmão, Dom Wilson Luís Angotti Filho,

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifesta seu pesar pelo falecimento de Dom Antônio Affonso de Miranda, bispo emérito da diocese de Taubaté (SP), nesta segunda-feira, 11 de outubro.

Agradecemos a Deus a contribuição que o bispo deu à Igreja no Brasil, à congregação Sacramentinos de Nossa Senhora, especialmente às dioceses de Lorena e Taubaté, ambas em São Paulo, e à Comunidade Canção Nova, servindo-lhes como um farol a apontar caminhos e horizontes pastorais.

Respeitado pregador, grande administrador e incentivador das pastorais e movimentos leigos, dom Antônio também é reconhecido como um intelectual renomado, admirado pelo episcopado brasileiro. Escritor refinado, produziu mais de 40 livros sobre vários assuntos, que incluem Teologia, Mariologia, Catequese, Formação Moral, Pastoral e até um de poemas.

Nossa solidariedade ao senhor, aos familiares, à congregação dos Sacramentinos de Nossa Senhora, à comunidade Canção Nova, aos amigos e a  todo o povo de Deus das dioceses por onde passou  e deixou as marcas de sua presença como pastor.

Receba nosso abraço e nossas orações pelo descanso eterno de Dom Antônio Affonso de Miranda.

 

Em Cristo,

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

Presidente da CNBB

 

Dom Jaime Spengler

Arcebispo de Porto Alegre (RS)

Primeiro Vice-Presidente da CNBB

 

Dom Mário Antônio da Silva

Bispo de Roraima (RR)

Segundo Vice-Presidente da CNBB

 

Dom Joel Portella Amado

Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

Secretário-geral da CNBB

Por CNBB

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